Hospital das Clínicas

Segurança sem muros

Considerada a maior instituição de saúde da América Latina com fluxo diário 52 mil pessoas, o Complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo une segurança privada e pública de modo estratégico para proteger pessoas e patrimônio.

No ano que completou 75 anos, em novembro de 2019, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) pode comemorar várias conquistas, entre elas o Programa de Segurança Integrado – Sem Muros, criado em agosto do ano passado. O conceito do programa é valorizar a união de pessoas e tecnologias com o objetivo de promover mais segurança nas unidades de saúde e ensino no entorno da região, denominada como polígono da saúde de São Paulo.

Considerada a maior instituição de saúde e ensino da América Latina com circulação de 52 mil pessoas por dia, o HC-FMUSP está situado no bairro Cerqueira César, região nobre da capital paulista. O complexo ocupa uma área de 600 mil metros quadrados com cerca de 2,4 mil leitos distribuídos entre os oitos institutos especializados e dois hospitais auxiliares. Na solenidade de comemoração dos 75 anos do hospital, o diretor da Faculdade de Medicina e presidente do Conselho Deliberativo do HC, professor Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, ressaltou a responsabilidade da instituição construída por grandes nomes da medicina brasileira. Segundo ele, a maior responsabilidade é tentar manter o patrimônio construído por grandes nomes da medicina brasileira, que se confundem com a história do HC e da faculdade.

Prevenção e proteção

O tema segurança passou a ser discutido no HCFMUSP de forma ampla e permanente por profissionais especializados do setor, incluindo docentes e pesquisadores do meio acadêmico e científico. O trabalho é resultado de diversos estudos que foram elaborados e implantados com êxito. As iniciativas estão voltadas para prevenção e proteção da sociedade civil em situações complexas de deslocamentos feitos em trajetos diários e diferentes horários. Além disso, foram consideradas também melhorias gerais na zeladoria e mobilidade urbana. O Programa de Segurança Integrado – Sem Muros foi implantado no entorno deste grande polígono da saúde em conjunto com instituições de diversos fins, como: unidades de ensino, hospitais, órgãos da segurança pública, empresas de tecnologias, entre outros estabelecimentos que também enfrentam os mesmos desafios quanto à segurança das pessoas e seus patrimônios.

A implantação incluiu também a população das duas estações de metrô: Clínicas e Oscar Freire, ambas próximas ao HC-FMUSP. A ideia foi incentivar a conexão entre gestores de segurança da região com a Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal, CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, Subprefeitura de Pinheiros e o Conseg – Conselho de Segurança Comunitário. Todos eles usufruem das mesmas tecnologias implantadas. O primeiro passo para fazer isso virar realidade foi constituir um grupo de trabalho que discute regularmente as principais questões de segurança. As parcerias geraram ações conjuntas dessas organizações que convivem num mesmo território e agora conseguem obter melhorias em todos os processos, ou seja, do planejamento até a última etapa de execução.

As primeiras medidas de segurança foram abranger todos que por lá circulam, como: estudantes, professores, profissionais da saúde, pacientes e acompanhantes, enfim, um público diverso e vasto que trabalha, estuda ou oferece alguma espécie de apoio ao HC-FMUSP. Comerciantes também entraram na lista já que todos cumprem um importante papel na redução de riscos. Uma das prioridades foi a criação de grupos de trabalho temáticos, como o GT -Trânsito e Mobilidade, cuja missão é melhorar a fluidez do trânsito na Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar. A intenção é liberar a via para ambulâncias com destino ao atendimento de emergência na Unidade de Emergência Referenciada (UER). O GT busca solucionar ocorrências de pacientes que não conseguem chegar a tempo para serem atendidos.

Troca de informações eficaz

Conceituados profissionais do segmento de segurança privada que trabalham em hospitais, shoppings, hotéis, universidades, entre outras organizações, passaram a trocar experiências e oferecer sugestões aos grupos de trabalho do polígono da saúde de SP. A ideia central foi treinar e aperfeiçoar equipes qualificadas em gestão de segurança a fim de difundir o tema de forma contundente em todos os empreendimentos.

Os grupos realizam exercícios práticos e promovem discussões com equipes de todo país. Uma das temáticas destacadas é a disponibilidade informações a todos de modo assertivo. A boa comunicação entre as pessoas ajuda na eficiência dos programas de segurança que necessitam ser integrados, flexíveis e participativos o suficiente para estimular a adesão de pessoas dispostas a colaborar com a prevenção em diversos cenários. Depois de colher depoimentos do público que usufrui do polígono da saúde de SP, a gestão do HC-FMUSP optou em unir a segurança privada (intramuros) e segurança pública (extramuros). Os resultados já surgiram. Entre eles, está a troca de informações em tempo real, o auxílio no planejamento diário das rondas e nos pontos fixos preventivos e o principal: o estreitamento das relações entre os profissionais do segmento de segurança. Sem contar o uso de tecnologias implantadas nos locais, dias e horários que antes eram apontados como vulneráveis pela sociedade civil territorial.

Entre os diversos profissionais envolvidos no Programa de Segurança Integrado – Sem Muros, escolhemos alguns depoimentos sobre a gestão integrada.

Confira:

“A segurança em ambientes com grande fluxo de pessoas e veículos possui alto nível de complexidade. Por isso, os modelos de segurança integrados e participativos se mostram mais assertivos e eficientes já que são vistos pela óptica de promover prevenção e proteção às pessoas e patrimônios. Participar de um programa de segurança integrado que conecta todo entorno do polígono da saúde de São Paulo, unindo equipes de alto desempenho com tecnologias de fácil integração, nos deixa satisfeitos à medida que contribuem com a criação de ambientes mais seguros. ” – Marcelo Santos, sócio-diretor da Sydel Tecnologia e Automação

“O polígono da saúde HC-FMUSP apresenta resultados positivos na segurança do seu entorno graças ao programa que acompanhamos desde o início. Por se tratar de uma região sensível na qual circulam milhares de pessoas diariamente, a iniciativa de criar um grupo de trabalho composto por profissionais do segmento de segurança e de áreas afins é um avanço porque soma vários esforços. O modelo de reunir pessoas para trabalhar o interesse comum coincide com os atuais conceitos de políticas públicas e parcerias institucionais. ”Cel. Álvaro Batista Camilo, secretário executivo da Polícia Militar na SSP – SP

“Falar sobre o o quadrilátero da Saúde de SP é uma grande responsabilidade, pois nos referimos ao maior Complexo Hospitalar da América Latina. Certos da importância de contribuir com iniciativas de cooperação à segurança preventiva, a Helper está feliz por integrar um trabalho tão nobre. Por meio dele, efetivamos a nossa mais nova parceria institucional ao doarmos nossa tecnologia para áreas com grande fluxo de pessoas e veículos. Atentos às inovações, sabemos que os equipamentos inteligentes vão tornar ainda mais eficaz esse programa inovador que contempla a segurança nesta região de São Paulo. ” – Edison Endo, diretor da Helper

“Ao assumir o Comando do 23º Batalhão da capital de São Paulo procurei conhecer suas principais áreas e condições de execução da atividade policial preventiva em suas diversas modalidades. Percebi a grandiosidade do Complexo do Hospital das Clínicas, cujo público diário ultrapassa a população de muitos municípios do Estado de São Paulo. Concentrado numa área até pequena, a alta densidade de pessoas em situação de vulnerabilidade e diversidade de atividades nas variadas instalações físicas trazem desafios enormes para a área de segurança e a única forma viável de aprimoramento da qualidade foi e é a integração total entre o Corpo de Segurança interno e a Polícia Militar, que atua no entorno do Complexo. Literalmente eliminamos os “muros” que nos separavam em prol dos cidadãos. As comunicações e ações integradas foram aprimoradas, os conceitos de Vizinhança Solidária foram postos em prática, os sistemas de monitoramento e vigilância foram atualizados e dotados de inteligência a fim de passar do modo reativo para o modo preditivo, ampliando muitíssimo a efetividade e alcance do que se pode hoje, verdadeiramente, chamar de prevenção e atenção social.

Em decorrência dessa sinergia, também as ações de polícia foram redesenhadas, pudemos ter a visão do fluxo de pessoas, dias e horários de maiores demandas, otimizando recursos e obtendo resultados significativamente melhores. Tanto que todos os indicadores criminais foram reduzidos. Os aprimoramentos tecnológicos, a evolução de normas e protocolos, as ações integradas na prevenção de delitos e no gerenciamento de crises constituem um legado tangível importante, mas não podemos esquecer que esse grande salto está fundamentado nas relações humanas entre profissionais abnegados que construíram esse cenário favorável ao entendimento tanto do Complexo do HC quanto da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Essa construção constitui a base para a evolução alcançada e propicia projeções otimistas de tudo que ainda virá. ” – Larry de Almeida Saraiva, tenente-coronel

“Em tempos de insegurança nos centros urbanos, há uma natural reação das pessoas em buscar soluções rápidas para assegurar suas integridades físicas, emocionais e patrimoniais. Sem deixar de considerar o uso de métodos repressivos contra o crime, é fundamental o conjunto de medidas de segurança por meio de uma nova abordagem, que amplia as ações no polígono da saúde de São Paulo. É deste modo que é possível compor uma estratégia mais completa de proteção às pessoas que trabalham, estudam e se servem dos serviços oferecidos nesta área. A nossa região de atuação é formada por grandes hospitais e laboratórios públicos do HC-FMUSP e três Faculdades da Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina, Escola de Enfermagem e Faculdade de Saúde Pública). Cada qual possui administração própria, recursos humanos e materiais independentes, além das equipes e todo aparato dedicado à zeladoria e segurança de cada instituição. Tudo isso acessível por duas estações de metrô construídas nos limites deste território.

Há cerca de sete anos, compomos uma nova estrutura administrativa na Universidade de São Paulo, denominada Prefeitura USP do Quadrilátero da Saúde e Direito. A finalidade foi similar a outras prefeituras da instituição, isto é, coordenar projetos de zeladoria e manutenção do campus. Apostamos na ideia de interagir com várias instituições independentes da área de saúde, buscando estabelecer contato com a administração dos hospitais vizinhos, especialmente o Hospital das Clínicas de São Paulo. Com isso, passamos a conhecer os problemas comuns vivenciados por todos e focamos na segurança, mobilidade, limpeza e manutenção urbana. Várias ações têm sido feitas desde então, entre elas o combate ao mosquito Aedes Aegypti, manutenção viária, limpeza de bocas de lobo para diminuir alagamentos, poda de árvores para proteção da rede elétrica, adequação de calçadas para os pedestres, e, evidentemente, ações ligadas à segurança das pessoas em geral e mais especificamente no que se refere à violência, incluindo roubos e furtos. Aos poucos, atingimos o sucesso. Esta nova realidade só aconteceu porque constituímos parcerias entre as instituições que fazem parte do polígono e isso gerou inclusive maior a adesão ao programa Vizinhança Solidária Hospitalar, feito em conjunto com a Polícia Militar de São Paulo.

Este trabalho prevê a conexão dos vizinhos para tratar os assuntos de interesse comum. Imagens obtidas pelas câmeras de vigilância existentes no entorno da nossa área agora estão integradas aos sistemas de segurança para toda região, produzindo uma sinergia que promove maior eficiência no combate aos crimes. Este modelo que soma esforços de instituições vizinhas, usa recursos humanos, tecnologias e materiais já instalados, é capaz de promover resultados mais eficientes, diminuindo ocorrências e desestimulando os infratores a agirem nesta área. Trata-se de um modelo preventivo, que poupa tempo e recursos que podem ser utilizados de modo otimizado no enfrentamento às agressões ao cidadão e ao patrimônio que restam. ” – Prof. Dr. Raymundo Soares de Azevedo Neto, prefeito do Quadrilátero da Saúde e Direito da USP

“Quando falamos de segurança pública, além de equipamentos e tecnologias, é necessário realmente unir diversos órgãos buscando sinergia nas ações, troca de informações e boas práticas direcionadas à melhoria nos resultados. Neste cenário, temos que destacar a gestão do Complexo Universidade de São Paulo, que busca constantemente estabelecer parcerias com do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da “ os órgãos que têm interface, aperfeiçoando as condições de segurança para os usuários do complexo, que entre pacientes, funcionários e estudantes, gira em torno de 52 mil pessoas por dia. A nossa preocupação ultrapassa os muros da instituição. Como o metrô leva e traz boa parte do público do Complexo do HC, estamos alinhados com todas essas ações porque buscamos sempre o bem comum. ”Antônio Carlos Nunes, coordenador de segurança operacional do Metrô de São Paulo

“Quando dúvidas que precisamos unir esforços para melhorar a segurança preventiva no local que vivemos. A tendência agora é cuidar e olhar para o entorno, observando nossas casas e os locais que circulamos. O HC-FMUSP retrata com clareza que é possível um grande programa de segurança integrado sem muros. Os gestores de segurança não estão mais em fase de laboratório e sim num caminho já positivo de tornar esse entorno bem mais seguro. A administração mais abrangente é eficaz porque inclui todos os estabelecimentos e traz tecnologias de fácil integração. Todos esses fatores representam um passo à frente na área de segurança primária. ” – Roberto Rocha, consultor de tecnologias da SegdBoa Projetos e Gestão de Negócios

“Trabalhar com políticas de segurança em grupo é motivador, especialmente neste trabalho, pois conseguimos reunir pessoas interessadas e agregadoras, que elaboram modelos e programas de segurança personalizados, flexíveis e participativos. Tudo isso construído com muito diálogo, valorizando a experiência daqueles que estão sempre dispostos a mostrar o que é eficiente na cidade de São Paulo. Para os gestores de segurança, os resultados vão além dos números. É essencial somar ao processo administrativo deles ferramentas que facilitam as relações institucionais frente ao interesse comum. Constatamos que as trocas de experiências e as inserções de tecnologias inteligentes, geraram ações preventivas de qualidade, como bons treinamentos direcionados às pessoas e patrimônios. Há o entendimento que, não há concorrência quando abordamos o tema segurança, ou seja, é de extrema relevância o repasse de informações sobre crimes, bem como soluções criadas para o bem de todos. Observamos a elevação no grau de confiança deste trabalho. Este é um grande diferencial, pois surgiram alternativas para problemas que não estavam diretamente ligados à questão de segurança, mas que foram resolvidos graças às novas articulações e parcerias. Nossa segurança com olhar ao dia de amanhã! ”

Josué Paes, integrante da diretoria de “ Segurança Corporativa do HC-FMUSP

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